Fórum Social Temático 2012: a educação como
alicerce e o capitalismo repensado

Debater e elaborar propostas para um novo mundo que, afirma o lema do evento, é possível. Esta é a grande função do Fórum Social Temático 2012, que está inserido no processo do Fórum Social Mundial e acontecerá em Porto Alegre e região metropolitana entre os dias 24 e 29 de janeiro e contará com centenas de atividades como oficinas, shows e mostras. Como temas centrais, estão a crise capitalista e a justiça social e ambiental, que são também as temáticas principais da conjuntura internacional. Além desse debate, o Fórum é também uma preparação para o Rio+20, Conferência da ONU que acontecerá em junho no Rio de Janeiro e abordará o Desenvolvimento Sustentável.

O Fórum, que pretende abrir caminho para que a capital volte a sediar o Fórum Social Mundial de 2013, propõe que os movimentos e ativistas sociais presentes repensem o modelo de desenvolvimento das economias capitalistas, que está problematizado por uma série de questões mal resolvidas e desestruturadas. E, ao que prometem os envolvidos no evento, o acesso à educação e à revisão do sistema capitalista deve ser o centro dos debates. “O capitalismo está aí e não tem volta, então precisamos pensar de que forma está funcionando esse sistema”, afirma o secretário de Políticas de Juventude da Força Sindical, Jefferson Tiego. Para o secretário, o caminho é revisar o funcionamento do sistema, e não lutar contra ele, e cita a crise econômica dos Estados Unidos como exemplo de que esse funcionamento não está correto.

O Secretário geral do Sindicato dos Comerciários de Porto Alegre e presidente da Força Sindical do Rio Grande do Sul, Clàudio Janta, também prevê uma discussão em torno das políticas econômicas. “Precisamos de uma política de continuidade e não de partidarismo, ainda que com ajustes que podem e devem ser feitos”. Cláudio também lembra a importância de políticas de prevenção e uma melhor estruturação e preparo do governo. “Temos seca todo ano, por exemplo. Então porque não temos verba já prevista para isso?” São temas que estarão no centro das atividades do Fórum.

A educação deverá estar sendo discutida como alicerce para o desenvolvimento mundial. Tanto Cláudio quanto o Jefferson citaram a qualificação profissional e a educação profissionalizante como base para qualquer nação. “Temos que discutir soluções. O piso do magistério tem que ser cumprido. Como? É o que vamos debater.”

Nos eixos sindicalistas, está em pauta a redução da jornada de trabalho, cujo projeto já está no Congresso Nacional e deve ser votado ainda este ano, e a qualificação profissional e mão-de-obra especializada. Clàudio Janta afirma que “O Brasil precisa se estruturar. É necessário encontrar um conjunto de políticas para um novo mundo que acreditamos ser possível, através do diálogo entre a sociedade e o governo.”

Outras inúmeras temáticas estão na programação do Fórum como, por exemplo, o debate em torno do preconceito homossexual. Está prevista a entrega de um troféu ao presidente do Sindicato dos Salões de Barbeiros, Cabeleireiros, Institutos de Beleza e Similares do Rio Grande do Sul (SINCA/RS), Marcello Chiodo, por sua luta contra o preconceito homossexual com os cabeleireiros. Marcello, que comemora a recente regulamentação das profissões da categoria, por meio de lei sancionada no último dia 18, lembra que “os direitos são iguais para todos nós, e esse preconceito de afirmar que todo cabeleireiro é homossexual precisa acabar. Até porque, não há problema algum em ser homossexual”. O presidente é contra a generalização e o uso de nomeações de opção sexual como forma de discriminação.

A prefeitura divulgou que o investimento total do município será de cerca de R$ 2 milhões, e que o evento contará com acesso a redes wi-fi e uma linha exclusiva de ônibus.

Memorial é lembrado

O Fórum Social Mundial é um espaço de grandes debates. Como poderia, então, um material com tamanha riqueza social ser simplesmente esquecido? O secretário de Políticas de Juventude da Força Sindical, Jefferson Tiego, coloca que este é um dos grandes desafios desta edição: a organização para o resgate do memorial do FSM. “Queremos deixar um legado”, diz o secretário. De acordo com ele, esse material está disperso em diversos setores e precisa ser resgatado. Quando ao espaço físico, o secretário adjunto da Cultura, Jéferson Assumção, afirma que a secretaria da Cultura já disponibilizou o térreo do Memorial do Rio Grande do Sul para este fim, e que a responsabilidade por essa coleta está a cargo do Comitê do Fórum. Para o secretário, é importante lembrar que o evento é feito pela sociedade, e não pelo governo. “O resgate dessa memória é um processo que começa a se redesenhar. E o apoio do governo está em ceder esse espaço físico.” Jeferson afirma ainda que a biblioteca do Fórum já está sendo montada, mas que é importante também o resgate da memória dos próprios debates, gravados em áudio e vídeo.

A cultura ganha programação específica

Durante a programação do FST estará acontecendo em Porto Alegre e região metropolitana o Fórum Internacional da Cultura Livre e o Conexões Globais 2.0, que trarão uma rica programação cultural à capital e têm suas atividades bastante concentradas no centro. Entre debates, ciclos de cinema, programação musical e mostras artísticas, os dois eventos irão pensar a cultura pelo viés das novas tecnologias da informação e comunicação dentro do contexto das redes sociais digitais. Segundo o secretário Jéferson, é um espaço próprio para repensar a cultura contemporânea que, em sua complexidade, precisa ser abordada na busca de soluções. “Teremos o olhar voltado para a diversidade cultural, indo desde os movimentos já consagrados até os novos movimentos. Queremos uma ampla discussão a respeito do papel da cultura na sociedade.” Como, por exemplo, os autores vivem de suas obras em um ambiente de facilitação de cópias e de difusão cultural? Como equilibrar isso com o direito ao acesso da cultura visto como fundamental? São exemplos de problemáticas centrais no eixo da cultura dentro do Fórum. Um debate que deve passar pelo viés econômico, social e simbólico da produção cultural.

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Casa dos Bancários: Território Social Mundial

Um dos principais incentivadores do Fórum Social Mundial desde sua primeira edição, o SindBancários não podia ficar de fora este ano e preparou uma programação especial, toda ela com entrada franca. Quem abre as atividades é o jornalista Amaury Ribeiro Junior, que vem a Porto Alegre para o lançamento estadual do polêmico livro A Privataria Tucana. O autor também participa de um lançamento do livro no dia 26, às 14h30, no Acampamento da Juventude, no Parque da Harmonia, ao lado do escritor e jornalista Juremir Machado da Silva e de Juberlei Baes bacelo.

Também passam pela sede do SindBancários o sociólogo Emir Sader, o deputado estadual Raul Pont, o escritor Fernando Moraes e o governador Tarso Genro. A economista Maria Alejandra Madi fecha a programação com uma oficina sobre o Sistema Financeiro Nacional.

As atividades acontecem na Casa dos Bancários (Rua General Câmara, 424) e tem apoio da Fetrafi-RS, Contraf-CUT, CUT-RS, Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento do PT, Fundação Perseu Abramo e Coletivo Felco.

CineBancários

O CineBancários integra o FST com a mostra Coordenadas: Política e Audiovisual Entre Centros e Periferias. Em parceria com o Coletivo Felco SP - Festival Latinoamericano de la Clase Obrera -, serão exibidos 25 títulos, entre curtas, médias e longas metragens, relacionadas a lutas e movimentos sociais. São filmes que poderão ser visto em primeira mão, todos com entrada franca.

Dia 25 de janeiro
Lançamento estadual do livro A Privataria Tucana
16h - Debate com o autor, Amaury Ribeiro Junior e o diretor de Saúde da Fetrafi-RS, Juberlei Baes Bacelo
18h - Exibição do filme A Década da Perversidade, de Hique Montanari


Dia 26 de janeiro
Construindo a Democracia Real: A Democracia Participativa e as Ferramentas Digitais
10h – Debate com o sociólogo Emir Sader e o deputado estadual Raul Pont

Oficina Desenvolvimento e Sustentabilidade: Estabelecendo Conexões

14h - Abertura
14h15 - As políticas de desenvolvimento sustentável, com o economista Lendeslaou Dowbor e o presidente do IPEA, Marcio Pochmann
15h15 - Debate
14h45 - As experiências de Gestão: um olhar sobre a esfera Federal e Estadual, com o ministro de Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, e o secretário de Meio Ambiente do Estado do Acre, Eufran Amaral
16h45 - Debate
17h15 - As experiências de Desenvolvimento sustentável pela Sociedade Civil, com representantes de comunidades tradicionais e representantes da Rede Brasileira de Agendas 21 Locais (Rebal).
18h30 - Encerramento

Dia 27 de janeiro
O Sistema Financeiro Nacional
14h - Oficina com a economista Maria Alejandra Madi
Os Últimos Soldados da Guerra Fria
19h - Lançamento do livro de Fernando Moraes, com a presença do governador Tarso Genro

Mostra Coordenadas: Política e Audiovisual entre Centros e Periferias
De 24 a 29 de janeiro
Sessões às 15h, 17h e 19h

 

 

   
         


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