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De olho nas mudanças
Fiquei
surpreso quando a equipe do jornal me incumbiu da função
de escrever esta coluna. Sempre estive do outro lado, compondo
o conselho editorial, que, entre outras coisas, escolhe o tema
e o colaborador a abordá-lo. É um dos espaços
mais nobres do jornal, e produzido por pessoas “de fora”
do ambiente da redação, e por isso sempre cercado
de cuidados especiais nas definições necessárias.
Mas fui vencido pela argumentação de se tratar de
uma edição diferente, especial, que mais do que
comemorar 10 anos se reinventa, agrega elementos novos e começa
construir a imagem da próxima década.
Olhando para trás, vejo a trajetória de um pequeno
jornal de bairro, que nasceu a bordo de uma idéia de dotar
o Centro da cidade de um informativo independente, crítico,
ético, e que, entrincheirado na vontade comunitária,
fosse o seu porta-voz. Daí a identificação
e a parceria com a Associação dos Moradores do Centro,
que, como o jornal, foi edificada focando o cidadão desta
região da cidade.
Os anos se passaram e a cada nova edição eram agregados
conhecimentos técnicos, colegas de trabalho, colaboradores
anônimos, parceiros do negócio de comunicação,
anunciantes fiéis, mas, principalmente, leitores satisfeitos
com o trabalho desenvolvido pelo Jornal do Centro. Esse foi o
combustível que nos trouxe a esse momento importante de
nossa existência. Mas, longe de nos acomodarmos com o até
aqui alcançado, consideramos o desafio da próxima
década ainda maior do que o do caminho já percorrido.
As mídias eletrônica e digital assumem, cada vez
mais, espaço no cotidiano das pessoas, impondo às
mídias impressas a necessidade de mudança profunda
na formato de sua comunicação com o usuário.
A televisão e a internet, notadamente a experiência
social massiva da web 2.0, com a disseminação dos
blogs, sites de compartilhamento de fotos e conteúdos,
comunidades baseadas em redes sociais, tiraram o indivíduo
da condição de simples espectador e o colocaram
como agente do processo, criador de conteúdos.
É esse o mundo em que vivemos, onde tecnologias surpreendentes
e novas ferramentas de comunicação entre as pessoas
são criadas, alterando veloz e profundamente os costumes
da sociedade.
E é consciente dessa nova ordem de coisas que o Jornal
do Centro se prepara para viver os novos tempos, sabendo das dificuldades
que as mudanças impõem.
No entanto, se levarmos em conta que o sujeito do nascente jornalismo
colaborativo, é o mesmo leitor que aprovou nosso trabalho,
sua fidelização vai depender das ferramentas de
interatividade que colocarmos a sua disposição,
da interação do conteúdo impresso com o digital
e da manutenção da qualidade geral da comunicação.
Este é o nosso grande desafio, já que o elemento
chave e mais importante dessa relação nós
já conquistamos:
Você Caro Leitor.
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