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Revitalização
do Centro

Quando começaram
a escavar uma parte da Praça da Alfândega, senti
um aperto no coração. Parecia que estavam remexendo
muitas entranhas. Foi ali que brinquei em
torno do chafariz com as demais crianças da época.
A água colorida que dele saia, era mágica, mudando
a todo instante. Foi ali que, sentada num banco com minhas irmãs,
aguardava a chegada do pai e da mãe para sair correndo
e desaparecer no meio das pessoas, sem nenhum cuidado. Morava
atrás do QG da BM e a zona dos folguedos eram os “campinhos”
e o cais do porto. Assim que, parte da minha infância foi
passada no Centro de POÁ, talvez por isso, me seja tão
familiar, me sentindo em casa a qualquer hora.
As mudanças que houve, aceito-as, tudo muda, o centro as
acompanha. Faz parte do processo mudar. O que não dá
para aceitar é a ilusão de que algumas “reformas”
serão suficientes para atrair as pessoas a virem se divertir
no centro.
Revitalizá-lo, requer mais do que investimentos materiais.
Senão, vejamos: reVITAlizar = dar nova vida. Que elemento
dá vida a uma cidade? O cidadão. Quem é o
cidadão do centro? O morador? O que nele trabalha? O que
nele passa? Os vendedores? Os moradores de rua? O assunto é
complexo. Tão complexo quanto a revitalização
do porto. Não basta ter uma verba, reformar a fachada,
o interior, abastecer com o equipamento necessário, suprir
com todas as tecnologias se o elemento humano não estiver
preparado para usá-lo e não houver manutenção
permanente. Li que foi aprovada a retirada do muro.
Eis uma questão muito séria. Quando foram construí-lo,
fui contra, lógico. Hoje, vendo a situação
do centro, sou contra, enquanto o “problema” do centro
não for resolvido. E ele só será resolvido
quando: todo o calçamento, inclusive o asfalto, for reformulado,
pensando nos que transitam diariamente por ali; quando houver
mictórios suficientes para a população. A
verba que será gasta na derrubada no muro talvez seja suficiente.
Há de se considerar também a segurança do
pedestre, pois, sem o muro, a parte externa do cais ficará
a mercê das “moscas”, pois se ela inexiste no
centro quanto mais num local coberto, bem protegido da chuva onde
qualquer um pode fazer seu “lar” e tudo o que o acompanha
em termos de higiene, etc, etc, ect.
Além disso, o porto não é o único
local de onde se pode apreciar o pôr-do-sol e para tal,
não é necessário encher de bares, restaurantes,
locais de consumo de alimentos e tudo o que isto implica em termos
de resíduos e limpeza. Por que não colocar brancos
em toda a extensão, canteiros com plantas na beira do cais,
em suma, pôr vida? Sentar sem precisar comer, beber, fumar,
sem ter de afastar um vendedor qualquer coisa para olhar o lago,
o céu.
Vamos repensar o conceito de REVITALIZAR. O silêncio também
revitaliza.
Edições
anteriores
Prefeitura
restaura Mercado Público Central - Edição
112
Revitalização
do Centro - Edição 113
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