| 
Veraneio em
Porto Alegre
Adriano Viario
Poeta
Sou apaixonado por
minha cidade! Sou daqueles que não vai à praia no
verão para aproveitar o melhor momento de curtir Porto
Alegre! O veraneio! Durante este sufocante período posso
verificar detalhes de minha terra que o movimento de pessoas não
permite. Nesta época verifico sua galhardia, seu jeito
sereno de ser simpática todo dia e todo ano. A cidade singela
feita um coala australiano. A cidade de meu peito e de meu sentimento
injetado no sorriso, no caminhar e no beijo escondido. Aqui vejo
a felicidade decorrer por entre ruas e seguir até o mais
ínfimo e doentio sentimento de inveja. Inveja por tantos
apreciarem o que só eu gostaria de fazer! Ciúme!
Tenho ci-ú-me de Porto Alegre, por todos os portoalegrenses
que ela abriga! Queria ser o único a percorrer suas ruas
praças e estádios! Viver na solidão? Não!
Todos morariam, mas só eu seria digno de ser chamado de
PORTOALEGRENSE. Dentre os locais que amo estar e viver nesta que
é minha capital, e minha também cidade natal, destaco
o canto espremido e estendido à margem de nosso rio. O
canto leste do Centro. Ali ao lado ou defronte aos quartéis.
Ali junto das praças e do gasômetro sinto-me junto
ao éden. Local onde sinto dores quando parto. Faço
intervenções cirúrgicas em meu ego e meu
âmago cada momento que tenho de deixá-lo. Falo daquele
canto, daquela calmaria, daquela galhardia que só nosso
Centro tem. A casa de cultura do saudoso Quintana. Os quartéis,
os mendigos. Um local que abriga intelectuais e ignorantes. Mas
todos amantes de um paraíso incrustado e pressionado junto
ao Centro de nossa cidade. Corro até o gasômetro.
Chego junto ao pôr do sol e reparo todas as estilhaçadas
de seus raios perante o espelho de água de nosso estuário.
Mais um natal que passei no local de minha preferência.
Mais um natal que chorei por não residir no meu Centro
amado. Mais uma vez voltei do Centro com o peito carregado por
histórias que só o Centro dos quartéis e
do Quintana, dos militares à paisana, sabe tão bem
contar.
Edições
anteriores
Prefeitura
restaura Mercado Público Central - Edição
112
Revitalização do Centro
- Edição 113
Os
direitos da criança e do adolescente - Edição
114
As
muitas feiras do livro - Edição 115
Ações para combater a Dengue - Edição
116
A
Saga da Nação Negra - Edição 117
Uma outra
comunicação é possível - Edição
118
|