A interdependência entre Porto Alegre e sua Região Metropolitana

Mária do Rosário
Deputada Federal - PT/RS

    Recentemente participei de um colóquio que reuniu estudiosos e pesquisadores para debater um projeto de desenvolvimento sustentável para Porto Alegre. Entre tantas contribuições valiosas, abordou-se algo que é central para pensarmos em uma cidade melhor para o futuro: o elevado grau de interdependência entre a Capital e sua Região Metropolitana. Proponho abordar alguns dados na perspectiva da composição econômica e o mercado de trabalho de Porto Alegre.
     Um primeiro elemento que chama a atenção é a composição da empregabilidade na cidade. Porto Alegre oferece cerca de um milhão de postos de trabalho, dos quais 400 mil são ocupados por moradores de municípios vizinhos. Aqui estão concentrados 36% da população da Região Metropolitana e 50% dos postos de trabalho. É preciso, portanto, promover o crescimento do emprego em toda a região. Ressalte-se que entre as populações mais fragilizadas para a inserção no mercado de trabalho estão a juventude, as mulheres e os negros. Tomando a juventude como exemplo, a taxa de desemprego atinge 25% da população entre 18 e 24 anos, enquanto a média geral atinge 14%. Diante disto, políticas específicas devem ser implementadas.
     Um segundo elemento reside na composição da economia da cidade. Enquanto em 1985 o setor de serviços respondia por 58% da economia, em 2004 ele perfaz 73% do total. Se considerarmos o “esvaziamento” industrial da Capital ocorrido nos últimos 30 anos, vamos perceber que as cidades da Região Metropolitana têm obtido índices de crescimento mais representativos que Porto Alegre na área de serviços. Dessa forma, mais cidades se constituem como novos pólos do setor.
        Por tudo isso, fica claro que não é possível pensar no desenvolvimento de Porto Alegre isoladamente. As cidades estão conurbadas e a mobilidade entre suas populações confere reflexos mútuos entre um e outro espaço geográfico. Ou seja, ações de desenvolvimento - positivas ou negativas - em Porto Alegre têm reflexo na        Região Metropolitana e vice e versa.
        Infelizmente não temos observado qualquer ação ou iniciativa da gestão do prefeito José Fogaça neste sentido. O que a cidade precisa é de um projeto claro de desenvolvimento, em contraponto ao atual quadro de falta de visão por parte do poder público municipal.
Portanto, o caminho para atingir um crescimento sustentável, que combata as desigualdades e promova a preservação ambiental, deve ser pensado e trilhado conjuntamente, não impedindo iniciativas individuais. Esperamos que Porto Alegre dê exemplo e cumpra seu papel de indutora desta discussão.

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