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Xadrez, política
e ano bissexto
Roberto Jakubaszko
Analista de xadrez/ Militante político do OP
Dia
a dia vivemos a crise de uma civilização que faz
do desrespeito e do preconceito seu objetivo “motor”.
Essa civilização baseia-se num modo de produção
que violenta o meio ambiente e aliena o individuo. Estabelece
relações que se constituem em sabores e técnicas
de manipulação e controle que reproduzem exploração
e submissão de uns sobre os outros, tornando cada ser humano
alheio à sua própria prática social . A urbanização
do Brasil deu à miséria certa impessoalidade. Ela
passou a apresentar-se como o elemento mais notável do
cotidiano brasileiro. Algo para ser visto pela janela da residência,
por vezes esparramada sobre as calçadas, por vezes refugiada
sobre os viadutos e esquinas. Na mais deprimente inópia.
Não podemos negar que a modernidade trouxe novas formas
de contato com a riqueza. Em contrapartida a miséria bate
suja e esfarrapada no vidro de seus automóveis, na porta
de suas residências. E você o que tem a ver com isto?
Ora você é um cidadão, pertence a esta galáxia
onde os semáforos ganham uma inesperada função
social. Passamos a exercitar nossa infinita bondade pingando esmolas
em mãos sofridas e oprimidas. E após isto continuamos
de bem com os nossos travesseiros, mas estaremos nós enquanto
cidadãos agindo corretamente? Dar esmolas não é
a solução, precisamos sim ajudar , mais ajudaremos
bem mais cumprindo com o nosso dever de cidadão e cobrando
de nossas autoridades competentes uma medida eficaz que atenda
de fato a estes miseráveis.
Medidas educativas, trabalho digno, esporte, saúde, lazer...garantias
fundamentais estas que estão estipuladas claramente no
nosso art. 5º da CF e em seus incisos subseqüentes .
Só então poderemos voltar a dormir sossegados. As
pessoas, indiferente do sexo, credo, cor ou classe social, precisam
de eficácia e não falácias. Chega de demagogias
baratas, chega de pactuar com a mediocridade de uns poucos em
deferimento de uma maioria desinformada de seus direitos reais.
Infelizmente no Brasil, milhares de pessoas vivenciam na pele
a humilhação, e a dor da miséria. Vive-se
nesta fase, a utopia da cesta básica e do acesso à
educação para todos, visando o principio da isonomia
de que todos são iguais perante a lei. Cresce também
o numero elevado de delitos cometidos por esta classe de excluídos,
formando-se uma outra força: daqueles que cansados com
a opressão, a miséria e a humilhação
de terem que esmolar , agora já não pedem mais,
exigem. É parece contraditório, absurdo, mais é
o que está de fato acontecendo. Eles os miseráveis,
“xeradores”, pivetes de rua , mendigos, desapropriados,
eles que há centenas de anos vêm sendo desmoralizados
e excluídos, agora já não suplicam, tomam.
E para a felicidade de muitos de nós a miséria não
bate mais a nossa porta, parece perfeita não é mesmo?
Mais em contrapartida ela invade , não estende mais as
mãos para pedir esmolas, mas sim para anunciar um assalto
e arrancar o relógio de seus braços distraídos,
ou o celular que faz os olhos do pivete excluído brilhar
mais forte, aguçando a vontade de tomá-lo para si.
Mira você caro amigo, deve estar se perguntando neste momento
“que diabos tenho eu a ver com isto, agora a culpa por estes
delinqüentes estarem à solta cometendo infrações
é minha”? Desculpe a ousadia mas é sim. É
sua, é minha, é nossa, da sociedade e do Estado,
pois é dever de cada um de nós cobrar do poder público
atitudes de inclusão social e tentar ajudar o mesmo na
busca pela inclusão de todos no ordenamento. Pois se trata
de um dever moral da sociedade para com o próximo, uma
questão de ética político social. Destarte
deixo aqui mais uma de minhas reflexões de cunho social
e dedico a todos um singelo e fraterno abraço.
Edições
anteriores
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Prefeitura restaura Mercado Público Central - Edição
112
- Revitalização do Centro
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As muitas feiras do livro - Edição 115
- Ações para combater a Dengue - Edição
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- Uma outra
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- A interdependência
entre P. Alegre e sua Região Metropolitana - Edição
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- Xadrez,
política e ano bissexto - Edição 120
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