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A crise da sociedade atual
Tamara da Silva
Estudante de Direito
Dia a dia vivemos a crise
de uma civilização que faz do desrespeito e do preconceito
seu objetivo “motor”. Essa civilização
baseia-se num modo de produção que violenta o meio
ambiente e aliena o individuo. Estabelece relações
que se constituem em sabores e técnicas de manipulação
e controle que reproduzem exploração e submissão
de uns sobre os outros, tornando cada ser humano alheio à
sua própria prática social . A urbanização
do Brasil deu à miséria certa impessoalidade. Ela
passou a apresentar-se como o elemento mais notável do
cotidiano brasileiro. Algo para ser visto pela janela da residência,
por vezes esparramada sobre as calçadas, por vezes refugiada
sobre os viadutos e esquinas. Na mais deprimente inópia.
Não podemos negar que a modernidade trouxe novas formas
de contato com a riqueza. Em contrapartida a miséria bate
suja e esfarrapada no vidro de seus automóveis, na porta
de suas residências. E você o que tem a ver com isto?
Ora você é um cidadão, pertence a esta galáxia
onde os semáforos ganham uma inesperada função
social.
Passamos a exercitar nossa infinita bondade pingando esmolas em
mãos sofridas e oprimidas. E após isto continuamos
de bem com os nossos travesseiros, mas estaremos nós enquanto
cidadãos agindo corretamente? Dar esmolas não é
a solução, precisamos sim ajudar , mais ajudaremos
bem mais cumprindo com o nosso dever de cidadão e cobrando
de nossas autoridades competentes uma medida eficaz que atenda
de fato a estes miseráveis.
Medidas educativas, trabalho digno, esporte, saúde, lazer...garantias
fundamentais estas que estão estipuladas claramente no
nosso art. 5º da CF e em seus incisos subseqüentes .
Só então poderemos voltar a dormir sossegados. As
pessoas, indiferente do sexo, credo, cor ou classe social, precisam
de eficácia e não falácias.
Chega de demagogias baratas, chega de pactuar com a mediocridade
de uns poucos em deferimento de uma maioria desinformada de seus
direitos reais. Infelizmente no Brasil, milhares de pessoas vivenciam
na pele a humilhação, e a dor da miséria.
Vive-se nesta fase, a utopia da cesta básica e do acesso
à educação para todos, visando o principio
da isonomia de que todos são iguais perante a lei.
Cresce também o numero elevado de delitos cometidos por
esta classe de excluídos, formando-se uma outra força:
daqueles que cansados com a opressão, a miséria
e a humilhação de terem que esmolar , agora já
não pedem mais, exigem. É parece contraditório,
absurdo, mais é o que está de fato acontecendo.
Eles os miseráveis, “xeradores”, pivetes de
rua , mendigos, desapropriados, eles que há centenas de
anos vêm sendo desmoralizados e excluídos, agora
já não suplicam, tomam. E para a felicidade de muitos
de nós a miséria não bate mais a nossa porta,
parece perfeita não é mesmo?
Mais em contrapartida ela invade , não estende mais as
mãos para pedir esmolas, mas sim para anunciar um assalto
e arrancar o relógio de seus braços distraídos,
ou o celular que faz os olhos do pivete excluído brilhar
mais forte, aguçando a vontade de tomá-lo para si.
Mira você caro amigo, deve estar se perguntando neste momento
“que diabos tenho eu a ver com isto, agora a culpa por estes
delinqüentes estarem à solta cometendo infrações
é minha”?
Desculpe a ousadia mas é sim. É sua, é minha,
é nossa, da sociedade e do Estado, pois é dever
de cada um de nós cobrar do poder público atitudes
de inclusão social e tentar ajudar o mesmo na busca pela
inclusão de todos no ordenamento. Pois se trata de um dever
moral da sociedade para com o próximo, uma questão
de ética político social. Destarte deixo aqui mais
uma de minhas reflexões de cunho social e dedico a todos
um singelo e fraterno abraço.
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Prefeitura restaura Mercado Público Central - Edição
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