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Geração de
emprego e renda na
Vila Chocolatão é uma questão de justiça
social
Jacqueline Sanchotene
Movimento Viva Gasômetro
Meu
envolvimento com a Vila Chocolatão e seus moradores começou
de forma inusitada. Em fevereiro de 2007, os residentes do entorno
da praça Julio Mesquita (conhecida como Praça do
Aéromovel ) – nos quais me incluo – começaram
uma campanha pela limpeza do local. Nos dirigimos a cada carroceiro
que depositava lixo na rua e pedimos a sua colaboração.
Em dez meses o lixo colocado diminuiu cerca de 60%. Nessas conversas
fui conhecendo-os um a um. Comecei então a percebê-los
como pessoas. Tive então a vontade de conhecer mais de
perto os outros habitantes do local e a Vila Chocolatão,
localizada a 800m da minha casa, e cujas notícias que eu
lia nos jornais não eram positivas.
Procurei me aproximar por meio do presidente da Vila, o Sr. Léo
Maciel, e do S. Luiz, o professor da Vila – formado em filosofia
e fluente em três idiomas. Lembro da primeira vez que fui
ao local. Era início da noite de um sábado, há
cerca de um ano. No dia seguinte fui novamente a Chocolatão,
dessa vez acompanhada de um parceiro de outras ações
sociais, o César Cardia. Na ocasião prometi ajudá-los,
mesmo sem ter claro o que iria fazer sabia que os moradores precisavam
de uma ação que envolvesse formação
de mão de obra e geração de renda. Depois
de nove meses e tentativas frustradas, consegui o primeiro parceiro:
o Sebrae RS, que concedeu três cursos de empreendedorismo
para os moradores: Juntos Somos Fortes, Aprendendo a Empreender
e Vendendo Mais e Melhor. A evolução dos alunos
do primeiro para o último curso foi impressionante.
Para abrirmos a primeira aula conseguimos outro apoio precioso,
o Maracatu Truvão (maracatutruvao.blogspot.com).
A apresentação foi um sucesso, principalmente entre
as crianças. Esta semana conseguimos o apoio da Associação
Beneficente Sargento Cordeiro, que irá ceder computadores
e auxiliará na elaboração de cursos de computação.
As ações que tenho levado para a Vila Chocolatão
visam a proporcionar aos moradores uma troca maior com a comunidade
e a torná-los auto-sustentáveis, com condições
dignas. Me preocupa a notícia divulgada da mudança
dos moradores para as novas casas, que segundo informações
obtidas de várias fontes – e que os moradores da
Chocolatão não tem conhecimento – estão
localizadas no final da rua Protásio Alves, distante mais
de 10km do ponto de coleta de lixo, material de trabalho de 90%
da população da Vila. Continuarei trabalhando para
levar ações que permitam uma melhoria na qualidade
de vida dos moradores da Chocolatão.
Edições
anteriores
-
Prefeitura restaura Mercado Público Central - Edição
112
- Revitalização do Centro
- Edição 113
-
Os direitos da criança e do adolescente - Edição
114
-
As muitas feiras do livro - Edição 115
- Ações para combater a Dengue - Edição
116
-
A Saga da Nação Negra - Edição 117
- Uma outra
comunicação é possível - Edição
118
-
Veraneio em Porto Alegre - Edição 119
- A interdependência
entre P. Alegre e sua Região Metropolitana - Edição
120
- Xadrez,
política e ano bissexto - Edição 121
- A crise
da sociedade atual - Edição 122
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