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A crise do “capitalismo
cassino” e a falência
do pensamento único neoliberal
Durante
anos, o pensamento único neoliberal pregou as virtudes
do “livre-mercado” e de sua total desregulamentação.
Ao mesmo tempo, demonizou o Estado e condenou qualquer intervenção
sua para regrar as relações entre o capital e o
trabalho e disciplinar o mercado e a movimentação
dos capitais.
Em nome da eficiência econômica e da “modernidade”,
decretou o desmonte do Estado transformado em mínimo para
o povo e em máximo para o grande capital , as privatizações,
a diminuição dos gastos públicos mesmo que
às custas da perda da qualidade dos serviços essenciais
à população , a retirada de direitos trabalhistas
e previdenciários, a extinção dos Estados
Nacionais periféricos e a abertura de suas fronteiras aos
capitais e mercadorias dos países capitalistas centrais.
Quem se opôs a esse “fundamentalismo neoliberal”
passou a ser chamado de “neo-bobo”.
Em todo o mundo, tendo como epicentro os Estados Unidos, o capital
financeiro tornou-se hegemônico, subordinou o capital produtivo
e descolou-se cada vez mais da economia real. Um volume inimaginável
de capital fictício dez vezes superior a toda a riqueza
efetivamente gerada, sem qualquer correspondência com o
capital produtivo passou a circular no que poderíamos chamar
de “capitalismo cassino”, amealhando enormes lucros
às custas do aumento da miséria de bilhões
de homens e mulheres.
Mas, o capitalismo especulativo e parasitário tinha um
encontro marcado mais dia, menos dia com a realidade. Numa reação
em cadeia, cujo final é imprevisível, faliu o sistema
imobiliário norte-americano, quebraram poderosos bancos
e seguradoras, evaporaram-se os fundos de pensão que garantiam
as aposentadorias de milhões de trabalhadores, despencaram
em todo o mundo as bolsas de valores e os preços das commodities.
Grandes empresas como a GM, Ford, Chrysler estão à
beira da falência. A crise, inicialmente financeira, transformou-se
em uma profunda crise sistêmica.
Nessa hora, todo discurso neoliberal fez-se pó! Os até
então adoradores incondicionais do “livre mercado”
passaram a apelar ao “Estado” para a sua salvação.
Generosamente, o dinheiro público sempre escasso para a
saúde, educação, segurança, aposentadorias,
jorrou aos trilhões para socorrer os magnatas da jogatina
especulativa. Calcula-se que até agora os Bancos Centrais
já aplicaram mais de três trilhões de dólares
para socorrer os milionários em dificuldades. Mais uma
vez, quem pagará a conta serão os trabalhadores,
com o desemprego, a redução de salários e
a retirada de direitos.
Fica cada vez mais claro aos povos de todo o mundo que a atual
crise não será solucionada nos marcos do capitalismo
a não ser às custas do crescimento da miséria
de bilhões de homens e mulheres e, até, de guerras
destrutivas. Impõe-se à humanidade a tarefa de superar
esse sistema de opressão e exploração do
homem pelo homem e construir uma nova sociedade mais livre, mais
justa e mais humana. Socialista!
Raul Carrion
Deputado Estadual/PCdoB
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