A Rodoviária de Porto Alegre

Construída há mais de quatro décadas, a Rodoviária de Porto Alegre tem sido parte integrante do cenário da Cidade, mais precisamente do seu Centro Histórico.

Classificada, pelo poder concedente, como rodoviária de categoria especial, não se pode dizer – tendo em conta às condições econômicas e sociais da Cidade – que seja considerada inadequada ou anacrônica, embora não se possa classificá-la como modelo. Falta-lhe muito para sua modernização – inclusive informatizá-la completamente (por exemplo, vendas de passagens ida-e-volta).

Seu problema maior é a localização, fato este que ajuda a transtornar o fluxo de veículos e pedestres, não apenas no seu entorno, mas numa imensa área urbana. Neste sentido, é inimaginável sua existência num prazo curto ou médio.

A solução para o problema da rodoviária da Capital passa por um projeto que vise a uma nova localização. Neste caso, é indispensável pensar na integração e proximidade dos sistemas rodoviário, ferroviário e aéreo. Vale dizer, uma localização que considere, por exemplo, o transporte intermunicipal e metropolitano de ônibus com o Trensurb, sua expansão, e o próprio movimento do transporte aeroviário – tudo interligado por pequenos veículos (quem sabe pelo aeromóvel). Assim, os passageiros de ônibus procedentes da fronteira, para exemplificar, ficariam próximos do embarque em aviões – o que hoje não ocorre. Em resumo, uma estação rodoviária localizada nas proximidades do Aeroporto Salgado Filho e da linha metroviária.

Isto posto, haveria, por consequência, a possibilidade de ceder a atual estação rodoviária exclusivamente para o final de linhas dos ônibus da região metropolitana – atualmente estacionados junto às avenidas Sepúlveda, Montanha e Mauá, atravancando a área central. Como complemento, haveria de se integrar esses veículos metropolitanos através de veículos de porte menor em torno da 1ª Perimetral – facilitando o percurso dos passageiros.
Por fim, o transporte de passageiros exige um mínimo de racionalidade – o que nem sempre é tido em conta pelo poder concedente e pelas concessionárias.


Guilherme Socias Villela
Economista
Ex-prefeito de Porto Alegre


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