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Ainda sobre sem-tetos no Centro

Queridos do Jornal do Centro. Sou uruguaio, mas moro em Porto Alegre há oito anos. Já morei muitos anos no meu país, muitos outros na Itália, mas optei por permanecer em Porto Alegre, porque é uma cidade maravilhosa e na qual me sinto em casa. Aqui trabalho como professor de Língua e Cultura Italiana.

O motivo pelo qual escrevo hoje é o seguinte: lendo a última edição (142), de Janeiro de 2010, encontrei uma carta escrita pela senhora Denise Garay que me fez reviver todos os sentimentos que tenho com relação a todas essas situações que a Denise enumera detalhad-amente.

Morei no Centro desde 2003 até 2007. Desses anos, três na Rua Riachuelo. Sou apaixonado pelo Centro e digo com orgulho. Por motivos alheios à minha vontade tive de morar fora do bairro por dois anos e meio. Recentemente, retornei a morar na Riachuelo, perto do Shopping Rua da Praia, na mesma quadra na qual morava antes.
Depois deste tempo fora do Centro e voltando, pude perceber com tristeza que a situação do bairro, no que diz respeito aos moradores de rua. Ruas essas que tem se tornado verdadeiros banheiros públicos e lixões a céu aberto.

Tem uma coisa que não entra na minha cabeça: o fato de que, pessoas que apreçam tanto pela saúde e cobram tanto dos nossos políticos, decidam, pra citar um exemplo, colocar montes de lixo orgânico nas calçadas no sábado ou no domingo de manhã, sabendo que esse lixo há de permanecer (espalhado, esvoaçando) até a segunda de noite, sujando as ruas da cidade e criando um panorama lamentável,
Sou estrangeiro, sim. E tenho orgulho de ser estrangeiro. E se me permito falar assim é porque amo esta cidade e porque Porto Alegre, eu sei, pode ser muito mais bonita com o cuidado e responsabilidade de todos.

Estes dias presenciei uma cena deplorável: fui com amigos a ver o desfile das Escolas de Samba na Borges de Medeiros (era sexta-feira), e quando estava voltando para casa, pude ver na rua coberta pelo menos 20 pessoas urinando e conversando tranquilamente como se estivessem em um banheiro da Praça da Alfândega (deste também tenho muito para falar).

A urina corria pela rua e chegava até a Rua dos Andradas como um rio. Tinha até um homem urinando bem na portas do Hotel Lancaster, como se fosse a coisa mais normal.
Por que em cidades como Gramado, por exemplo, este tipo de coisas não existe? Não estou falando de Europa ou EUA. Eu disse Gramado, aqui pertinho.
Bom, acho que deixei clara a minha preocupação. Mas não quero limitar-me a expor o que penso. Gostaria, como Denise, engajar-me em alguma ação em favor do Centro.
O que podemos fazer? Autoridades? Jornal do Centro? Moradores? Associação de Moradores?
Se puder ajudar, contem comigo. Deixo meu contato com o Jornal do Centro (por favor não o publiquem).
Um grande abraço a todos e todas que tornam ou tentam tornar a vida aqui no Centro mais humana e saudável. Contem comigo.

"Un atteggiamento di pace è la risposta più intelligente a coloro che ci fanno del male."

Roberto Figueroa
Professor, Tradutor e
Intérprete de Língua
Italiana e Espanhola


Problemas no Centro

Ilmo Sr.
Diretor do Jornal do Centro.
Ao cumprimentá-lo pela despartidarização política do Jornal do Centro, como morador do Centro da Capital há quase 10 anos, permito-me sugerir que o JCentro preste estes serviços ao nosso bairro:
-sugerir ao Prefeito que notifique os proprietários de imóveis do Centro que estão com as calçadas danificadas. Sugiro os meses de janeiro e fevereiro por apresentar menor densidade populacional (a metade da população está fora da cidade, os transtornos são menores);

-onde anda e o que faz a Guarda Municipal? O vandalismo nas praças do Centro está cada vez mais intenso. Vê-se que não por falta de condução, pois usam carros modernos. Só não se vê é o efeito do trabalho deles. Passeiam.
-O Centro da cidade está literalmente um lixo. Dejetos humanos nas calçadas, os chamados "moradores de rua" imundiciam o bairro. Que ninguém experimente um fim de semana de feriado caminhar em umas calçadas do Centro. E parece que há um programa de visita ao Centro Histórico, que leva as pessoas a ver os pontos históricos, mas desviando dos dejetos...

Precisamos de uma solução como foi dada aos camelôs, ou então o problema tomará dimensões incontroláveis. A mendicância aumenta vergonhosamente. Gente nova, sadia, usando crianças para esmolar. E o conselho tutelar?
Agradecido pela acolhida, penso estar colaborando para que o nosso Centro realmente nos orgulhe.

Atenciosamente,
Um morador do Centro.
J. Fernandes

 


 


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