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Orçamento Paticipativo
e a
Democracia em Porto Alegre
A
cidade de Porto Alegre comemora nesse ano duas décadas
de Orçamento Participativo. O OP se inscreve na história
da luta democrática da cidade, que tem um dos seus marcos
fundantes na organização das associações
de moradores a partir dos anos 50 do século passado. Já
nos anos 80, constituíram-se os Conselhos Populares, nos
anos 90 consolidaram-se o OP, os Conselhos de Políticas
Públicas (CPP) e os Fóruns Regionais de Planejamento
(FRP) e no início desse novo século começaram
a tecerem-se as redes de Governança Solidária Local
(GSL).
Um recente estudo do Banco Mundial, que faz uma análise
e avaliação do OP, considerou incontestável
o papel importante que esse processo de gestão democrática
tem desempenhado na melhoria das condições de vida
das pessoas de menor renda, na medida em que uma parcela maior
de recursos do orçamento municipal é canalizada,
por decisão popular, para obras e serviços básicos
nas regiões mais pobres e periféricas da cidade.
Não é menos importante, igualmente, o papel que
do OP para elevar a consciência democrática dos direitos
da cidadania, para realizar o controle social sobre a qualidade
dos serviços prestados à população
e para promover, enfim, uma avaliação crítica
permanente do desempenho do governo municipal como um todo. Nesse
sentido, tenho sempre defendido diante dos críticos do
OP que em sua existência, o contato direto e sistemático
que ele propicia à população e às
lideranças comunitárias, como o Prefeito e sua equipe
de governo, é um poderoso mecanismo democrático
de pressão pela melhoria e superação das
deficiências do trabalho realizado pela Prefeitura em cada
bairro e região da cidade.
Tendo alcançado a sua maioridade, entretanto, é
chegada a hora de o OP ser submetido a um balanço crítico
por parte das lideranças comunitárias, delegados
e conselheiros, governo municipal, vereadores e outros atores
da cidade. Há questões críticas que precisam
ser enfrentadas, como investir mais em capacitação
de pessoas para entender e debater sobre o orçamento do
município, buscar maior utilização das informações
disponíveis no t www.observapoa.com.br para realizar diagnósticos
sobre os bairros e regiões da cidade,visar o fortalecimento
da prática de acompanhamento e fiscalização
da execução do orçamento ao longo do ano
e a articulação orgânica do OP com os FRP,
os CPP e as redes de GSL.Assim como o aprofundamento da interação
entre o OP e as instâncias do governo municipal e a intensificação
da troca de experiências com práticas de OP em outras
cidades brasileiras e mundo afora. Enfrentar essas e outras questões
críticas seria, no meu entender, a melhor forma de celebrarmos
com responsabilidade esses primeiros 20 anos do OP em Porto Alegre.
Cezar Busatto
Economista
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