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Minc
e a questão do Meio Ambiente
Desde
a década de 1970 até os dias de hoje evolui muito
o nível de informação da sociedade mundial
sobre a questão da preservação do meio ambiente.
De um movimento social de características marginais, que
contava com apoio restrito em setores de classe média e
no meio acadêmico, o ambientalismo foi, aos poucos, conquistando
os corações e as mentes das pessoas, e, a partir
daí, ganhou amplos espaços institucionais, seja
no âmbito da sociedade, das empresas, da mídia, do
mundo da política e do Estado.
No início, o preconceito marcava a ótica das empresas,
assim como dos sindicatos e partidos – especialmente os
de esquerda - sobre a questão ecológica. Na visão
contábil estreita dos paradigmas teóricos da economia
no século passado, o custo ambiental não era levado
em consideração para a formação dos
preços e, em geral, as empresas não gostavam dos
ambientalistas. Empresários e sindicalistas viam nos ecologistas
um fator de pressão pela elevação dos custos
em função da necessidade de investimentos na recuperação
ou preservação do ambiente, que a produção
nos moldes antigos gerava.
Muita gente ainda não assimilou essa compreensão.
Os sindicatos não gostavam dos ambientalistas, pois viam
na elevação dos custos de produção
e dos preços dos produtos daí decorrente, um fator
de desaquecimento da economia, e, conseqüentemente, de restrição
à geração de empregos. Além dessa
visão obtusa, os partidos de esquerda, em geral ligados
à luta sindical, agregavam outro preconceito à forma
como viam os ambientalistas. A luta pela preservação
do meio ambiente era vista como um passa-tempo romântico
de jovens desocupados.
Foi com o crescimento dos Verdes em âmbito mundial, e com
o surgimento de Chico Mendes, um “sindicalista-ambientalista”,
que as coisas mudaram um pouco. Hoje, o conceito de sustentabilidade
é estratégico para o desenvolvimento de empresas
e nações. Ele envolve algo mais complexo do que
a preservação do meio ambiente apenas, como em geral
é compreendido. Trata-se de aprender a sobreviver numa
sociedade que se articula como rede distribuída e na qual
a mudança constante e veloz é ingrediente intrínseco
à dinâmica dos processos sociais, econômicos,
políticos e culturais. É nesse contexto que a aceitação
da ideia de que é impossível controlar a natureza
vai sendo gradativamente, substituída pela ideia de que
é preciso aprender a conviver em harmonia com ela. Isso
muda a concepção paradigmática que se tem
da ciência, e também, da gestão da economia,
das empresas e das políticas públicas em geral.
Numa sociedade capitalista a preservação do meio
ambiente pode ser uma atividade lucrativa, além de essencial
à sobrevivência dos negócios e da sociedade
em geral. No momento em que os empreendedores entenderem isso,
andaremos a passos largos na direção da preservação
da natureza.
O debate mundial sobre biocombustíveis é notório
caso de guerra de lobbies na mídia. O debate sobre aquecimento
global, idem. Poucos sabem que há uma corrente de cientistas
boicotada pela mídia e pelas agências de financiamento
de pesquisa, que afirma que o aquecimento atual tem causas naturais
e cíclicas. Enquanto isso, muita gente ganha audiência,
votos e dinheiro fazendo estardalhaço em sentido contrário.
Quem tem razão? Não dá para saber. Pode-se
escolher um lado, mas ao fazê-lo, se estará agindo
com se escolhe um time de futebol para torcer.
Carlos Minc que se cuide. Chegou sua vez de enfrentar essa contradição.
O PAC enpacou. Governo e produtores rurais, por razões
distintas, querem dobrar a espinha de Minc. Chegou a hora da verdade.
Ou Lula apoia Minc, ou prioriza seus interesses eleitorais.
Professor Paulo Moura
escritor
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