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Arborização Urbana
As cidades caracterizam-se por gerar condições artificiais de vida como elevada impermeabilização do solo, elevado consumo de energia e matéria que geram resíduos, elevados índices de poluição do ar, poluição sonora, poluição hídrica e outros fatores mais que afetam a qualidade de vida de seus habitantes.
Uma das formas mais eficazes de reduzir estes fatores negativos é a implantação de áreas verdes no ambiente urbano o que, mundialmente é feito através de construção de parques e praças e através de implantação de árvores nas vias públicas.
Aliás, neste aspecto, Porto Alegre é talvez a cidade mais arborizada do Brasil com aproximadamente 1,2 milhões de árvores em suas ruas e avenidas. Também temos em nossa cidade 603 praças que totalizam 450 hectares e 2.000 hectares entre parques e reservas ecológicas.
Isto, além de embelezar a cidade permite reduzir o efeito nocivo gerado pelas condições artificiais de vida acima mencionadas. Somente o fenômeno de fotossíntese produzido por esta massa vegetal já representa um imenso ganho em condições de qualidade de vida.
Infelizmente existem também ônus representados por esta arborização tão intensa. Estas árvores, entre outros problemas, caem e acarretam perdas mais ou menos graves, interferem nas redes elétrica e de esgotos da cidade, escondem a sinalização do trânsito.
Equilibrar os fatores positivos da arborização de uma cidade com seus fatores negativos é uma tarefa árdua e constante que as administrações públicas enfrentam.
Assim, para citar um exemplo, Porto Alegre tem mais de 900 semáforos e cerca de 80.000 placas de sinalização de trânsito. As distâncias destas placas em relação às esquinas das ruas é determinada pelo código nacional de trânsito. Assim, torna-se muito difícil, na maioria das vezes, compatibilizar o sinal com a árvore. Por outro lado, a poda desta árvore tem que ser periodicamente repetida e este serviço é feito com a simultânea criação de problemas de engarrafamento do trafego.
Para finalizar, considero que um trabalho importante e urgente a ser feito refere-se à revisão da legislação ambiental de nossa cidade. Indubitavelmente, foi através de uma legislação rigorosa e muito bem construída que chegamos a um nível elevado de arborização urbana. Esta legislação sucedeu uma fase em que "valia tudo", ou seja, se plantava tudo em qualquer lugar e também se cortava tudo em qualquer lugar. Acredito que hoje já adquirimos um grau de consciência que possibilitaria algumas concessões que facilitariam o convívio das vantagens com os problemas da arborização urbana, ou em outras palavras, os bônus com os ônus.
Carlos Py Engenheiro Agrônomo
Supervisor de Praças Parques e Jardins da
Secretaria Municipal do Meio Ambiente
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